O que são parasitoses intestinais?
As parasitoses intestinais são infeções causadas por parasitas que se instalam no intestino humano, onde se alimentam e se reproduzem.1
Estes parasitas são organismos que vivem na superfície ou interior de outro organismo, o hospedeiro, do qual se aproveitam, por exemplo, para obterem nutrientes. A nível mundial, os parasitas mais frequentes são os do grupo dos helmintas nemátodes, principalmente o Ascaris lumbricoides (conhecido por “lombrigas”), Trichuris trichiura e Ancilostomas.1
Além dos helmintas nemátodes, existem ainda os céstodes.
O que os diferencia é, sobretudo, a sua morfologia, modo de vida e tipo de infeção que causam:
Nemátodes
Nemátodes
Vermes parasitas com corpo achatado em forma de fita, dividido em segmentos (ténias, por exemplo). Não têm sistema digestivo, mas têm um órgão para se fixar ao hospedeiro e têm órgãos reprodutores masculinos e femininos no mesmo corpo.2
Os principais sintomas associados às parasitoses intestinais são1:
Vómitos
Anemia
Anorexia
Perda de apetite
Náuseas
Diarreia
Fraqueza
Dor abdominal
Excesso de produção de gases
No entanto, os sintomas variam de acordo com o parasita, uma vez que cada um apresenta um ciclo de vida diferente com várias manifestações clínicas.1,3
A principal forma de contaminação acontece por via fecal-oral, através de água ou alimentos contaminados, muitas vezes associada a más condições de higiene, como uma má higienização dos alimentos.1
Fatores de risco para a disseminação dos parasitas
Para os mais novos, as parasitoses podem representar consequências mais graves, afetando o seu crescimento e levando até a situações de anemia e desequilíbrio nutricional.2
Outros fatores de risco que podem levar a estas infeções, tanto em crianças como em adultos, incluem:1,2
Má higienização das mãos e dos alimentos
Consumo de água contaminada
Falta de condições mínimas de saneamento básico
O aumento de migrações humanas para áreas geográficas onde os parasitas são mais comuns
Parasitoses em Portugal
Os problemas causados pelos parasitas intestinais ainda são comuns: a Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que mais de 200 milhões de pessoas estejam infetadas, sendo a maioria crianças em idade escolar.2
Em Portugal, a taxa de parasitismo intestinal é atualmente mais baixa do que em anos anteriores, sendo a Giardia lamblia e alguns helmintas, nomeadamente o Trichuris trichiura, os principais responsáveis. Os helmintas como Ascaris lumbricoides, Ancilostomas, Strongyloides stercoralis e Céstodes continuam a ser também identificados em Portugal.1
As parasitoses têm aumentado em Portugal?
Mas o que mudou?
1 Aumento dos animais de estimação em Portugal, funcionando como veículo de transmissão a toda a família
Segundo o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), em 2022 Portugal tinha 3,1 milhões de animais de estimação registados.6
A ingestão de ovos de vermes presentes nas fezes dos animais aumenta o risco de infeção. Isto pode ocorrer em ações simples do dia a dia, como durante a higienização de áreas contaminadas, por exemplo, das caixas de areia dos gatos ou ao apanhar as fezes dos cães na rua.7-8
A limpeza regular dos espaços frequentados pelos animais e destes locais específicos é fundamental para reduzir o risco de que os ovos dos vermes se espalhem pelo ambiente e sejam ingeridos por outros animais ou humanos.7
2 Aumento do consumo de produtos biológicos
3 Consumo de sushi
Sintomas mais comuns nos principais parasitas
A maioria das parasitoses intestinais é bem tolerada pelo hospedeiro imunocompetente, podendo ser assintomática ou com sintomas gastrointestinais como dor abdominal, vómitos e diarreia. No entanto, alguns parasitas apresentam aspetos muito particulares que são importantes para um correto diagnóstico:
- Giardia lamblia
- Enterobius Vermicularis
- Ascaris Lumbricoides
- Trichuris Trichiura
- Ténias
- Strongyloides Stercoralis
- Angiostrogylus Cantonensis
- Trichinella Spiralis (triquinose)
Zenteverme é um anti-helmíntico não sujeito a receita médica de largo espetro de ação, ativo contra estes nemátodos e céstodos.14
Medidas gerais de prevenção
As recomendações de prevenção passam por:1
Controlo das águas com saneamento básico;
Controlo das técnicas de rega utilizadas e do tipo de fertilização;
Controlo adequado dos animais domésticos segundo as recomendações veterinárias;
Cuidados na higienização das mãos;
Preparação adequada de alimentos, principalmente nos vegetais e frutas;
Evitar consumir carne e peixe mal cozinhados ou crus.
Diagnóstico e tratamento
Em alguns casos pode ser possível ver a presença dos parasitas a olho nu. No entanto, na maioria das vezes, será necessário recorrer à colheita de fezes ou ao apoio de outros exames para obter um diagnóstico.1
ZENTEVERME
Está indicado para o tratamento de 9 tipos de parasitoses intestinais:14
Necator americanus (Ancilóstomo)
Ancylostoma duodenale (Ancilóstomo)
Ascaris lumbricoides (Lombriga)
Enterobius vermiculares (Oxíuro)
Trichuris trichiura (Tricocéfalo)
Angiostrogylus cantonensis (Angiostrongilo)
Strongyloides stercoralis (Larva rabditóide)
Trichinella spiralis (Tricínico)
Taenia spp. (Ténia)
A posologia pode ser única ou múltipla, consoante o parasita.14
| PARASITA | IDADE | DOSE E DURAÇÃO | RECOMENDAÇÃO |
|---|---|---|---|
| TÉNIA VERME DO TÚNEL |
Adultos | 2 comprimidos de manhã e à noite, durante 3 dias |
Repetir tratamento após 2-4 semanas |
| Crianças a partir dos 2 anos de idade |
1 comprimido de manhã e à noite, durante 3 dias |
||
| LOMBRIGA ANCILÓSTOMO TRICOCÉFALO INFESTAÇÕES MISTAS |
Adultos e Crianças a partir dos 2 anos de idade |
1 comprimido de manhã e à noite, durante 3 dias |
Repetir tratamento após 3-4 semanas, caso se observem recidivas |
| OXIÚRO | Adultos e Crianças a partir dos 2 anos de idade |
1 comprimido (dose única) | Repetir tratamento após 2-4 semanas |
| PARASITA | TÉNIA VERME DO TÚNEL |
|---|---|
| IDADE | Adultos |
| DOSE E DURAÇÃO | 2 comprimidos de manhã e à noite, durante 3 dias |
| RECOMENDAÇÃO | Repetir tratamento após 2-4 semanas |
| PARASITA | TÉNIA VERME DO TÚNEL |
| IDADE | Crianças a partir dos 2 anos de idade |
| DOSE E DURAÇÃO | 1 comprimido de manhã e à noite, durante 3 dias |
| RECOMENDAÇÃO | Repetir tratamento após 2-4 semanas |
| PARASITA | LOMBRIGA ANCILÓSTOMO TRICOCÉFALO INFESTAÇÕES MISTAS |
| IDADE | Adultos e Crianças a partir dos 2 anos de idade |
| DOSE E DURAÇÃO | 1 comprimido de manhã e à noite, durante 3 dias |
| RECOMENDAÇÃO | Repetir tratamento após 3-4 semanas, caso se observem recidivas |
| PARASITA | OXIÚRO |
| IDADE | Adultos e Crianças a partir dos 2 anos de idade |
| DOSE E DURAÇÃO | 1 comprimido (dose única) |
| RECOMENDAÇÃO | Repetir tratamento após 2-4 semanas |
Efeitos indesejáveis:
Alergia ao mebendazol ou a outros derivados benzimidazois ou a qualquer outro componente do medicamento.
Estar grávida ou suspeitar poder estar ou estar a amamentar.
Antecedentes de epilepsia.
Não recomendado a crianças com menos de 2 anos.
Especial cuidado com a administração simultânea com anti convulsionantes e/ou cimetidina.
Para crianças a partir dos 24 meses, mebendazol é considerado 1.ª linha de tratamento no caso de Trichuris trichiura (tricocefalíase) e 2.ª linha de tratamento nos casos de Ascaris lumbricoides (ascaridíase); Enterobius vermiculares (enterobíase ou oxiuríase); Ancylostoma duodenale (ancilostomíase); e Necator americanus (ancilostomíase).3
Em caso de dúvidas, consulte o RCM aqui.
REFERÊNCIAS:
1. Sofia Fernandes e col., Protocolo de parasitoses intestinais, Acta Pediatr Port 2012:43(1):35-41
2. Lobo, M. T. A. F. N. (2011). Contribuição para o estudo das parasitoses em Portugal: Helmintas intestinais em crianças escolares do concelho de Palmela (Tese de Mestrado, Instituto de Higiene e Medicina Tropical, Universidade Nova de Lisboa).
3. NOC da DGS nº006/2017 de 12/06/2017. DGS 2017S – Abordagem Diagnóstica e Terapêutica das Parasitoses em Idade Pediátrica.
4. Weatherhead, J. E., & Hotez, P. J. (2015). Worm Infections in Children. Pediatrics in Review, 36(8), 341–354. https://doi.org/10.1542/pir.36.8.341
5. Dados Sell-Out HMR, Anti-helmínticos, Mercado Total, FY2024.
6. P3. (n.d.). Há 3,1 milhões de animais de companhia registados em Portugal. PÚBLICO.
7. Companion Animal Parasite Council. (2011). Pets, Parasites and People. https://www.fourpawsvetcenter.com
8. Harvey, J. B., Roberts, J. M., & Schantz, P. M. Survey of veterinarians’ recommendations for treatment and control of intestinal parasites in dogs: Public health implications.
9. Schmidt, L., Truninger, M., Guerra, J., Fonseca, S., Prista, P., & Silva, A. (2022). Terceiro Grande Inquérito sobre Sustentabilidade em Portugal. Lisboa: Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa.
10. Trelis, M., Sáez-Durán, S., Puchades, P., Castro, N., Miquel, A., Gozalbo, M., & Fuentes, M. V. (2022). Survey of the occurrence of Giardia duodenalis cysts and Cryptosporidium spp. oocysts in green leafy vegetables marketed in the city of Valencia (Spain). International Journal of Food Microbiology, 379, 109847. https://doi.org/10.1016/j.ijfoodmicro.2022.109847
11. Golden, O., Caldeira, A. J. R., & Santos, M. J. (2022). Raw fish consumption in Portugal: A survey on trends in consumption and consumer characteristics. Food Control, 135, 108810. https://doi.org/10.1016/j.foodcont.2022.108810
12.Centers for Disease Control and Prevention. (2019, June 20). DPDx – Angiostrongyliasis cantonensis. http://www.cdc.gov https://www.cdc.gov/dpdx/angiostrongyliasis_can/index.html
13. Centers for Disease Control and Prevention. (2019, January 23). Trichinellosis. www.cdc.gov
14. RCM Zenteverme